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Viagens literárias: Mergulho no mar

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Era frio, então decidi que era um bom dia pra mergulhar. Dessa vez escolhi uma praia mais distante, uma que eu nunca havia estado antes. Também não mergulhei como de costume, por temer a água muito fria, imergi num submarino, o nº1. Quanto mais eu ia penetrando naquela imensidão, mais ia relaxando... Entrei em cavernas subaquáticas, vi cardumes de tubarões, chacoalhei em correntes marinhas, estacionei em um braço de corais que lembrava um dragão. De dentro do submarino avistei pelo reflexo, Poseidon com seu tridente, cavalgando num cavalo marinho, ou talvez fosse numa sereia. Passei aquela tarde toda na companhia de criaturas exóticas, míticas e bonitas. Eram tantas cores, que perdi a noção do tempo... Meus olhos ficaram exaustos e senti que era hora de voltar. Já na superfície, antes de sair do mar, resolvi experimentar a água e não estava fria como eu havia imaginado, estava escaldante. Então me deixei molhar um pouco. Quando me vi de volta em casa, fechei o livro à...

Onde está a poesia?

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ONDE ESTÁ A POESIA? Procuro-a num olhar, numa esquina, ao raiar do dia até o pôr do sol. Ando a procurar pela poesia, parece ela ter fugido de mim, ou, em mais um capricho seu, brincando de esconde-esconde só para me lembrar que dentro do apesar de tudo cabe ainda um espírito infantil. Ela insiste comigo, tento ser clássica, mas ela me quer subversiva; tento fingir que nem penso nela, mas aí vem ela, de repente, e se exibe pra mim dizendo que não adianta eu fugir, pois em tudo ela está. Basta eu treinar mais um pouco meus olhos e descansá-los no acontecer dos fatos e no deslizar das palavras que constroem, destroem, reconstroem o mundo. Subversiva A poesia Quando chega Não respeita nada. Nem pai nem mãe. Quando ela chega De qualquer de seus abismos Desconhece o Estado e a Sociedade Civil Infringe o Código de Águas Relincha Como puta Nova Em frente ao Palácio da Alvorada. E só depois Reconsidera: beija Nos olhos os que ganham mal Embala no colo Os que...

Despeço-me desses raios de sol

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Tem dias que fico sem palavras para expressar o quão a natureza é bela. Sinto-me privilegiada de poder olhar com estes olhos ainda curiosos pelo mistério das coisas. A lua alta e cheia se exibe no céu azul-marinho do entardecer do outono que começa. E silhuetas de árvores trazem um tom sombrio que dá vontade de mergulhar noite adentro e desbravar os segredos dos sons e das dimensões escondidos por trás das sombras. A luz da lua é dourada hoje e ela inaugura mais uma estação. Despeço-me desses raios de sol dando adeus a mais um verão. Pela noite, ainda quente, sopra um vento frio esparramando poeira das estrelas que ainda viajam anos-luz pelo espaço mesmo depois de tantos milênios de explosão. Sinto dentro de mim folhas caindo. Uma parte de mim uiva enquanto a outra, humana, tenta se desapegar das folhas já velhas e ressequidas. É tempo de deixar ir. Sinto-me ao meio de uma travessia, que poderia ser o início, também poderia ser o fim, e pelo que trago quero apenas sentir gratidã...