Um Carnaval Para nós dois





O que você acha da gente pegar essa nossa solidão e compartilha-la um com o outro?
Será que assim, ela cresce ou diminui?
Bem que eu queria jogar conversa fora, e dividir o meu fone com você naquela noite estrelada que sempre tem no verão.
Eu queria sentir aquele tempo quente e mesmo assim me aninhar no seu peito e me aquecer ainda mais, não apenas pelo clima, mas pelos pulos que meu coração daria se ele estivesse assim tão perto do seu. Sim, eu ficaria suando, eu morderia o canto da minha boca e ficaria com a respiração descompassada.
Eu abro mão dessas noites vazias, para me encher de você e eu sei que nunca me sentiria satisfeita porque você deve ser como tequila! Deve ser bom, que nunca chega ser demais, só quando a gente se levanta e percebe que ficou tonta!
Você me derrubaria? Me faria ficar bêbada de amor?
Mas a gente insiste em ficar aqui, cada um no seu próprio canto, fingindo viver uma paz que não existe. Isso aqui não é paz, é solidão!
Eu durmo e a cama está sempre tão grande! Os dias parecem sempre os mesmos, como se eu estivesse presa em um filme antigo em preto e branco, porque faltava você para colorir tudo!
Eu precisava tentar te ver nem que fosse de longe e te mandar aquele sorriso morno para ter mais um motivo para sonhar contigo!
“Será que eu já posso enlouquecer ou devo apenas sorrir?”
Era esse trecho da música que tocava no meu fone enquanto eu passava por todas aquelas pessoas na praça! Elas estavam pulando e gritando, exibindo seus copos descartáveis como se fossem troféus. Outros dançavam, ou acreditavam que estavam dançando com seus dedos indicadores apontando para o céu, subindo e descendo seguindo o ritmo da marchinha que a banda tocava no palco. Havia confete e serpentina por todo canto. Algumas crianças corriam com suas fantasias e espirrando suas espumas brancas para todos os lados.
Eu só queria ver você! E se o acaso colaborasse para que eu pudesse sentir sua barba roçando na minha pele, eu comemoraria como aquelas pessoas a minha volta e nem teria medo de bancar a desesperada.
Eu queria ir embora, mas a possibilidade de ver você me fazia ficar. E ainda fingir estar me divertindo como minhas amigas queriam. Era impossível não ver seu rosto nos caras que eu via de longe! Era improvável que as cenas que eu reproduzia na minha cabeça, realmente acontecessem.
Pensei em fugir e ir para casa chorar pela falta que sua imagem me fazia.
Até que eu fui! Continuei ouvindo a música “Me Adora” da Pitty pelo celular, e tentei tirar aquela maquiagem exagerada pelo meio do caminho. Mas pelo jeito que a minha mão estava ficando suja, pude prever que meu rosto devia estar todo manchado.
Meu salto quebrou no caminho, e aquilo parecia tão previsível! Fiquei furiosa reclamando sozinha, o som alto abafava a minha voz e eu sei que parecia uma louca quando você chegou mais perto.
Joguei os meus sapatos no lixo, e você veio atrás de mim carregando os dois e deve ter me chamado, mas eu não ouvi. Quando senti seus dedos batendo no meu ombro, dei um pulo por causa do susto, mas me acalmei quando vi seus olhos!
Você sorriu e eu mal pude acreditar! Eu não conseguiria me controlar porque estava quase me jogando nos seus braços. Nós nunca havíamos ficado tão perto um do outro, e seu cheiro era melhor do que todos os outros que eu tentava encaixar com a sua aparência. Percebi você olhando para o meu decote, e me despindo com os olhos, e bem que eu gostei!
Nós conversamos, sentados no meio fio como se a madrugada nunca mais fosse acabar.
Você tocou o meu rosto como se me pedisse permissão para me beijar! Eu sinalizei com a cabeça que aquilo era permitido. Senti o seu hálito de menta! Senti sua mão na minha cintura e tremi de desejo!
Quando amanheceu eu mal pude acreditar que era você preenchendo a minha cama com seu corpo!
Você era a razão para a minha poesia! Eu poderia fazer mil combinações com as palavras, que no final todas elas seriam para você. Você iria embora depois do café fumegante na minha caneca de ursinho, mas os meus lábios ficariam sempre na sua pele, porque eles jamais esqueceriam o gosto que você tem!
No final, seria sempre você na minha poesia! Seria sempre você dentro de cada verso que se formasse. Não importava se você não voltasse, você seria meu para sempre! Viveria nos meus sonhos, viveria nos meus lábios que se lembrariam sempre do que tivemos naquela noite. Mas você viveria para sempre em mim. Eu materializaria você nas minhas músicas e nas poesias sem sentido, transformaria você em versos, em prosa, em livros ou esculturas... eu teria sempre você em cada arte que se manifestasse por mim.

Ainda bem que você me deu mil noites de inspiração, porque depois daquele dia, você nunca mais quis partir!




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