Dia da Poesia (14 de Março)

Ei, pessoal!
Como vão? Espero que bem!
Hoje, 14 de março, é dia da poesia. Por isso, montei um post recheado para vocês!
Eu amo poesia de uma forma diferente. Não precisa de rima, nem precisa ter uma certa estrutura!
Eu gosto da poesia cotidiana, daquela que acontece sem a gente se dar conta! Gosto daquela poesia que não se anuncia, nem se intitula poesia.
Gosto dos filmes poéticos, dos desabafos poéticos e de histórias repletas de poesia!
Gosto das poesias das flores, da natureza dos animais!
Poesia para mim é vida, é enigma! Aquilo que não se encontra nas coisas, mas sim nas pessoas!
Tudo e nada contém poesia, depende dos olhos dos que veem, e do coração dos que sentem!
Uma gargalhada pode ser poética, o pranto pode ser poético... é ela quem adoça as palavras, transforma ideias em ideais, desejos em sonhos, sentimentos em emoções...
Eu amo a poesia, porque ela diz muito sobre mim! Me encaminha para lugares que nem eu mesma sabia que tinha! Me salva dos afogamentos da vida, e dos lugares poluídos da minha mente!

Eu amo a poesia, pois ela colore tudo que vejo! Deixa minhas bagagens mais leves, e meu coração mais puro!

Reuni algumas poesias de Manoel de Barros, que têm muito a ver com minha opinião sobre o assunto!


"Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada."
Manoel de Barros


"A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, 
que puxa válvulas, que olha o relógio, 
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis, 
que vê a uva etc. etc. 
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."
Manoel de Barros




" Quando meus olhos estão sujos da civilização, cresce por dentro deles um desejo de árvores e pássaros "
Manoel de Barros

Alguns filmes me ganham por seu lado poético! Isso aconteceu com o filme Boyhood. Fiquei apaixonada por ver pessoas envelhecendo e uma criança se transformando em homem bem na minha frente, em apenas 166 minutos. Ver a vida tomando forma, a vida evoluindo, a vida se fazendo vida... isso não é pura poesia?


Agora, pasmem! Narradores de Javé, entra na minha lista de filmes poéticos! Poucos entenderão, mas a brasilidade mostrada pelo filme... os rostos das pessoas, aquela essência tão natural... para mim, foi muita poesia!!!!


O Sétimo Selo, foi um filme que me deixou muito emocionada, com a forma poética de apresentar a fé na própria vida! 



Oz, Mágico e Poderoso, poético nas palavras e nas cores! Uma fotografia linda e mensagens fortes!


A Fantástica Fábrica de Chocolate, me trouxe a poesia da infância!




E os meus preferidos! Três filmes que revejo obsessivamente! Filmes que falam com a minha alma! 

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.
A poesia dos detalhes!!!


Antes do Pôr-do-sol! 

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

E encerro essa postagem com a poesia que mais amo no mundo! Ela me lembra minha eterna amiga! Minha cachorrinha Pandora! E sempre será uma homenagem a ela! Foram 10 anos de pura cumplicidade, um amor inexplicável! 

Olhar de Rainha

Ela me ama! Não se tem dúvida disso. Seus olhos sempre buscam os meus, para seu consolo e sua segurança. Os meus buscam os dela também, na ânsia de saber o que pensa e o que fez na minha ausência. É assim que o nosso colóquio amoroso acontece: sem palavras, só olhares. Olhares baços, caídos, atentos aos detalhes, no entanto. Cada movimento nosso é percebido pelo outro. E miramo-nos involuntariamente, apenas por nos querermos bem.
Quando era criança, assistia a um seriado que tinha como protagonista uma atriz feito ela. Linda, linda. Mais elegante, é verdade. Mas porque meu amor não é uma dama de cidade, não. Não frequenta salões de beleza, nem passeia nas ruas. Vive com os pés na terra, tendo forte ligação com a vida simples do campo. Nasceu numa casa parecida com o seu lar, já sentindo o cheiro das flores e conhecendo os bichos. Molha-se na chuva. Esquenta-se no sol. Parece mesmo sorrir para a natureza que a envolve.
Sorri. Quando chego do trabalho, mais ainda. Não pula em meus braços porque não a aguento mais. Também dispenso os excessos. Dá saltinhos tão contentes quanto uma criança em dia de aniversário diante do presente desejado. Se for dia, senta-se e me escuta atentamente. Se for noite, deita-se e, com um certo esforço, tenta adivinhar meus movimentos, até que me deite também. Aí ela reza (do jeito dela)... Aí ela vela por mim. Enquanto durmo, a fêmea finge dormir, usando-se de um artifício próprio das boas almas femininas, tão caridosas... Tão entregues. Em vigília, embala-me tranquilo. Se pudesse, expulsaria os meus fantasmas... Impediria os meus mais nefastos pesadelos.
Somente duas vezes eu a vi chorar. Na ocasião da morte de seu irmão e no tratamento de uma grande ferida na parte posterior de sua coxa. A dor nesses casos deve mesmo ter sido grande. Não se conteve a minha dama. Nos olhos em que não se avistava brilho, resplandecia o seu pranto, o seu urro, a sua incompreensão. Emagreceu. Lembro que nesse tempo quem fez a vigília fui eu.
Nunca discutimos. Jamais levantou a voz para mim ou foi indiferente quando lhe pedi atenção. Nem quando mais jovem. O tempo que passa tem a vantagem de nos oferecer sabedoria. Os que têm juízo, aprendem com ele. Ele aplaca os ímpetos e tranquiliza a alma. À minha pequena, ele só faz bem. Era doce, transformou-se em leite moça. Era bela, tornou-se um caso de amor. É uma raridade a minha querida!... Não surpreende ninguém com suas atitudes. É a minha Rainha.
Reine em minha casa, menina! Reine com jeitinho!... Não é preciso gritar. O seu silêncio é que a faz amada. Desfilando, expõe suas formas e sua candura. Sem extravagância. Sem estardalhaço. Sua imponência pode até ser natural de seu biotipo, mas é mais enfatizada em suas maneiras. A História registra as preferências dos súditos por majestades amáveis. É desejo do povo que tenham vida longa. Viva, meu bem!... Viva!
Em outra encarnação, que loucura!, deve ter sido humana. Suposição compartilhada por mim, Seu Isaías e Seu Vítor, o último que se encantou com você. Nós três a sentimos. Percebemos sua inteligência e sua preocupação com o próximo, seu sentimento bom. Compreendemos o seu olhar caído, possivelmente porque o temos também. E a comunicação vai acontecendo, as ideias vão fluindo... Os quatro vão se humanizando mais.
Relaxe agora, Rainha!... Enovele-se com calma!... Sonhei que seus pelos hão de cair todos e sua pele será tenra. Seus membros posteriores se transformarão em pernas, patas em pés. Terá braços. Vestirá roupas. Em vez de abanar o rabo, mostrará os dentes com simpatia. E seu hálito também se purificará. Vai usar palavras. Mas que elas sejam a expressão de seu olhar, que é puro e melhor do que o nosso, que já tivemos caídos todos os pelos que nos cobriam o corpo e que agora vestimos roupas. Você falará! A sua mensagem iluminada eu já conheço.

Marcio Fazenda
15/ 01/ 2013











  

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