Evento 28/02/2015


Nosso primeiro encontro do ano, foi lindo e emocionante!
Ocorrido no dia 28 de Fevereiro de 2015, na Fundação Léa Pentagna, às 18:00, o encontro reuniu música, poesia, crônica e romance.
Foram doses de cultura para todos os gostos!

Os convidados puderam se deliciar no Sarau de abertura que contou com a presença das poetisas: Raquel Leal, Carla Dutra, Cíbila Farani e Andréia Sineiro, e com o autor Victor Gomez.




Pra Ser Feliz

Talvez, mesmo a distância tocasse você
Talvez minha vontade fosse tão consistente
Que alcançasse tua pele
Talvez, tua pele não passasse de um esboço
De uma tela minha
Talvez tudo fosse apenas fantasia
Só que não era
Acabou-se a dor de espera
Desarmou-se o coração da fera
Que de tão ferida
Fez das garras desculpa pra constantes partidas
Acabou-se o tempo do resguardo
Se viver é como um parto
Onde se renasce a cada dia
Chega de atrasar o passo
Vamos embora que a felicidade não espera...


Meu Abrigo

Como se quisesse me acordar
Ele chega assim, devagarinho
Enchendo aos pouquinhos de luz
O meu lugar
Assim também faz com minha alma
Toca-a tão de levinho, com tanto carinho
Que eu não posso me assustar
E bem baixinho, quase a sussurrar
Diz pra mim: Filha não tenha medo
Meu amor por ti não é segredo
Confia, eu quero te curar
Venha, Eu posso te mostrar
Que o caminho é limpo
Tirei as pedras, pra você não tropeçar
E mesmo que caia, não chore
Estou aqui pra te cuidar
E assim Ele me ganha
Porque o amor que me apresenta
Nem em sonhos consegui imaginar
Jesus, faz de mim teu abrigo
Que em Ti, eu preciso descansar...

Raquel Leal



Melhor Idade

Já fui criança , ''aborrecente'', adulto...
E hoje estou na melhor idade.
A idade do saber , do conhecer.
Da vida vista de outro jeito.
Vivi muitas coisas boas, e ruins também...
Mas mesmo assim , nunca desisti.
Nem da felicidade nem da paz.
Porem ... confesso que desisti das coisas mundanas.
Algumas coisas não nos faz bem.
E só percebemos isso na melhor idade.
Na infância , eu era puri, uma simples criança.
Quando adolescente , fui meio rebelde .
Eu saia de casa com os amigos,
Ficava na rua até tarde .
Brincava, algumas brincadeiras bem idiotas,
Mas mesmo assim brincava.
Talvez tenha sido nessa fase,
Que aprendi algumas coisas,
Algumas legais, outras nem tão legal assim.
Mas o importante, eu vivi.
Uns anos depois , comecei a aprender mais coisas,
E essas já eram melhores, sabe...?
Eu aprendi o que era realmente se sentir bem .
Fui descobrindo como era amar, e doar amor.
Hoje, não tenho o mesmo folego de antes,
Não tenho as mesmas ideias, os mesmos pensamentos.
E hoje , eu o quanto fiz amor pelo mundo,
O quanto recebi amor do mundo.
E assim posso dizer:
Eu estou na melhor idade!
Eu sei o que é viver, tenho experiência e saber.
Carla Dutra


Talvez

 Nem sempre transmitimos o que queremos.
Não é sempre que aparentamos o que realmente somos.
 Mesmo tão diferentes acabamos sendo iguais.
Mas não igual exatamente.

 Por fora podemos ser lindos.
Podemos  ser horríveis.
Parecer feliz e ser triste.
Parecer triste e ser feliz.

Me diz que nunca se enganou.
Me diga quem nunca amou ou chorou ?
Só não me diga que somos totalmente diferentes.
Pois no fundo temos algo igual .

 Mas talvez eu esteja enganada com tudo isso.
Talvez não seja nada disse que acabei de escrever .
Mas se souber se estou e errado ou não ,
Por favor me diga.

Não quero enganar-me ,
Procuro não errar, mas também não ser perfeita.
Mas não é que não acredite em perfeição .
Sim , acredito . Mas não quero isso pra mim .

Alias, tenho coisas, pessoas perfeitas comigo .
Mas são perfeitas pelo que são ,
Não pelo o que a sociedade rotula de perfeição.

Eu acho isso, mas como eu disse:
Talvez eu esteja errada...
Carla Dutra

Trecho do Conto: A Pedra Polida
...
Daí em diante começaram a ser vistas as imagens do futuro. Não era todo dia. Às vezes demorava dias, às vezes semanas, mas as imagens eram assistidas por todos. De vez em quando algumas cenas se repetiam, outras nem tanto, algumas passavam só uma vez. Dia e noite o povo fazia vigília, não queriam perder nada. Depois de um tempo dividiram-se em grupos e estabeleceram horários, pois há dias não trabalhavam. Ficava melhor assim. Durante dez meses só tiveram felicidade, todas as imagens eram boas. Essas iam sendo anotadas no Livro de Imagens Felizes da Tribo. Lá estavam gravadas a melhor colheita dos últimos quatrocentos anos, o nascimento dos primeiros trigêmeos da aldeia, a descoberta das três mudas de árvores peroba, há muito extintas no Vale do Manto Verde, e tantas outras coisas felizes que traziam alegria ao povo. Só que alguma coisa não se encaixava, algo não estava batendo bem. Porque somente coisas boas apareciam na pedra? Timborã começara a perceber isso, no dia em que Dauan quebrara o dedão do pé ao chutar o chão, em vez da bola de fruta enrolada em pano velho. Por que isso não aparecera na pedra polida? E por que todas as outras cenas não consideradas boas também não apareciam na pedra? O dia em que o cacique Porita caiu do cavalo também não fora assistido pela tribo. Outra imagem não vista foi a doença que atingiu metade dos aldeões, fazendo com que todos corressem para o mato, e logo depois de estarem voltando tivessem que correr novamente. É, dava para desconfiar, mas ninguém desconfiava.  Estavam todos contentes com aquelas imagens boas, dopados, enfeitiçados. Então numa noite escura, após dez meses de alegria, o que nunca foi imaginado, nem mostrado pela pedra aconteceu. Timborã já tinha ouvido falar dos caçadores de escravos, mas não acreditava na existência deles. Eles chegaram no silêncio da noite com máscaras brancas e cabelos de palha, para se tornarem mais assustadores do que eram. Da janela de sua cabana Timborã vislumbrou uma cena que o marcou para o resto da vida. Os gritos de horror do seu povo, as sombras correndo de um lado para outro sem saber o que fazer. A tênue luz da lua minguante deixava ver apenas as máscaras brancas e seu sorriso cruel. Todas essas cenas formavam um quadro muito duro para aquele menino. De repente sua cabana foi invadida por um daqueles demônios. De um só salto, Timborã pulou a janela. Como era rápido e esperto conseguiu passar toda aquela confusão sem ser visto, desaparecendo lá para os lados da Lagoa da Friagem. Só na noite seguinte saiu da lagoa, tinha passado vinte quatro horas dentro d'água, misturado com a lama e os matos da beirada. Ao chegar à aldeia não encontrou nada nem ninguém. Nem os mortos ele encontrou. Lembrou dos antigos falando de tribos canibais que viviam ao sul do hemisfério, talvez tenha sido uma delas que exterminou seu povo.
...
Victor Gomez


A Caçada e o Sonho
Tinha corrido muito, talvez tanto quanto outras vezes, mas pela primeira vez estava experimentando uma sensação diferente. Até ela podia ouvir as batidas do próprio coração. Diante daquela floresta gigantesca, com árvores tão grandes que se perdiam de vista, tentava entender o que estava acontecendo. Devagar ia conseguindo controlar a respiração, que só não a denunciava porque o barulho feito pelos enormes animais daquela floresta era ensurdecedor. Há pouco passara voando por cima de sua cabeça um desses animais, quase do tamanho de um avião e de um verde muito intenso. Buscava na lembrança como tudo isso começou, mas não adiantava. Só conseguia lembrar que estava correndo já fazia um bom tempo e que fugia de uma formiga do tamanho de um rinoceronte. Tentava, também, lembrar quem era, mas não conseguia. Apenas um branco lhe vinha à cabeça. As sensações sentidas pelo corpo pareciam novidade, era como se tivesse correndo daquele jeito pela primeira vez. Até estar de pé e usar as mãos para afastar as plantas que a atrapalhavam o caminho e enxugar o suor, que escorria pela testa, antes de cair nos olhos e embaçar a vista, lhe era estranho. Não tinha a mínima idéia do que se passava. Só sabia de uma coisa: aquilo era uma caçada e ela era a caça. Olhava para trás a todo instante enquanto corria. A fera não estava longe, podia sentir seu cheiro no ar. Era um cheiro meio amargo, assim como ferrugem. Não compreendia como sabia disso. Essa era outra coisa estranha que não entendia. Seus sentidos estavam aguçadíssimos. Talvez por isso a formiga não tivesse conseguido pegá-la depois de tanto tempo de perseguição. Sua pele parecia um radar, todos os movimentos à sua volta eram sentidos, como se seu corpo fosse uma rede que nada deixa escapar. Escondida atrás de uma pedra pensava nessas coisas, quando um estalo a fez correr novamente. Sua perseguidora estava mais perto agora, podia calcular a distância como se usasse uma fita métrica. Sua visão começou a ficar turva e aos poucos foi perdendo os sentidos e todo aquele barulho a sua volta foi silenciando.
De repente acordou sentindo um toque frio em suas antenas e uma mensagem liquida lhe foi passada por outra antena. Analisou a mensagem e respondeu. Percebeu ter tido um sonho estranho. Há algum tempo devia estar dormindo de pé ali no jardim, sobre suas seis patas. Sua companheira se afastou rápido, depois de lhe passar uma mensagem: "Em cima da pia da cozinha tem um pouco de açúcar que o dono da casa deixou cair quando adoçava o café."
Victor Gomez


Palavras ao Vento

Palavras de dor.
Palavras de amor.
Palavras de saudade.
Palavras de tempestade.
Palavras temporãs.
Palavras anciãs.
Palavras sussurradas.
Palavras gritadas.
O meu mundo é de palavras.
Palavras escritas.
Palavras faladas.
Palavras ao vento.
Palavras gravadas para sempre no tempo.


Ser Alguém
Ser alguém...
Alguém eu sou.
Sou poeta e escrevo por amor...
Poeta no corpo, na alma e no coração.
Nos meus pensamentos tento descrever...
Quem eu sou.
Sou tudo, dou nada, dou mar... Enxurrada.
Sou lua... Sou amada.
Sou terra... Semente plantada.
Sou ar... Meu cabelo ao vento, brisa leve viajo nos meus sentimentos.
Sou fogo... Queima arde-te um dia quem sabe. 
...
Andréia Sineiro



A música ficou por conta da Banda Dead Bode, que arrasaram com André Bormevet na flauta, Marcio Manhães na voz e no violão e Daniel Silvares no baixo.


Contato: https://www.facebook.com/marcio.manhaes.3?fref=ts
Telefone: (24) 2453-3610

(24) 98128-8965




As autoras, Jô Coelho, Elayne Amorim, Pit Larah e Helen Farina, fizeram um debate sobre seus livros: Duas Verdades e uma Vida, Enquanto os Homens Dormem, Tribo do Amor e A Montanha Zoe. Os convidados puderam fazer perguntas, comentar, e darem suas opiniões sobre os romances.


Tribo do Amor de Pit Larah


Enquanto os Homens Dormem de Elayne Amorim
Duas Verdades e uma Vida de Jô Coelho


A Montanha Zoe de Helen Farina






Agradecemos às páginas parceiras, a nossa fotógrafa Carol Modesto e à equipe organizadora composta por Jô Coelho, Lívya Nacarate, Roseane Xisto, Eliza Alvernaz, Natalia Menezes, Aléxia Vargas, Elayne Amorim, Nivia Couto e Pit Larah.


Epifania
https://www.facebook.com/epifanialiteraria?fref=ts

Desfrute
https://www.facebook.com/desfruteme?fref=ts








Nós somos o time de organizadoras que cuida do Clube Literário Palavras ao Vento!
Os livros foram os responsáveis por nos encontrarmos, e isso é mais um motivo para amá-los!
Obrigada pelo apoio da Fundação Léa Pentagna, dos poetas e autores envolvidos no projeto, e da banda Dead Bode por nos proporcionar um show de tamanha qualidade!

Dia 11 de Abril, a gente se vê novamente!
:)


Comentários

  1. "O mundo é dos que dividem, dos que compartilham, dos que contribuem, dos voluntariosos. Os que não se comportam assim simplesmente passam por aqui como se não existissem." Victor S. Gomez
    Abraços e tudo de bom sempre.

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