Desafio do Livro Indicado - Dia 2 - Por Natalia Menezes (A Terra Inteira e o Céu Infinito)




Sinopse: O que acontece quando um diário perdida encontra o leitor certo? Numa remota ilha do Canadá, a escritora Ruth cata mariscos com o marido na praia quando se depara com um saco plástico coberto de cracas que envolve uma lancheira da Hello Kitty. Dentro, encontra um livro de Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, e se surpreende ao descobrir que o miolo, na verdade, é o diário de uma menina japonesa, Nao. A sacola misteriosa, segundo os rumores dos habitantes, é mais um dos destroços do último tsunami que devastou o Japão e foi levado pelas correntezas até a ilha. Desde então, Ruth é tragada pela história do diário de Nao, uma menina que, para escapar de uma realidade de sofrimento – de bullying dos colegas e de um pai desempregado e suicida –, resolve passar seus últimos dias lendo as cartas do bisavô, um falecido piloto camicase da Segunda Guerra Mundial, e contando sobre a vida da avó, uma monja budista de 104 anos. O que Ruth não esperava era que o diário iria levá-la a uma viagem onde ela e Nao podem finalmente se encontrar fora do tempo e do espaço.

A meu ver esse livro é daquele tipo que ou se ama ou odeia, pois é denso e nada estilo popular, tão comum da grande literatura no século XXI. Não posso dizer que odiei. Isso é mentira, mas também não está no "meu Top Five". Não sei se bem pela história em si, mas talvez pelo meu momento que está procurando e lendo algumas coisas mais "light".
O livro "A Terra Inteira e o Céu Infinito" conta de forma intercalada a história de duas pessoas que nada se parecem. Ruth é uma mulher mais velha e escritora. Um dia, ela descobre o diário de Nao, uma garota de quinze anos que mora em Tóquio e tem uma vida bem difícil. A vida dela, inclusive, apesar de ruim, existe esperança, o que faz a gente torcer pela personagem. Já a Ruth tem horas que é cansativa, apesar de ficar claro os motivos de sua impotência ao ler sobre os problemas daquela garota e nada poder fazer. 
Nao, que é a melhor parte do livro, tem um pai suicida, por isso mesmo, nunca sabe como vai encontrar seu pai. Depois de morarem um tempo nos Estados Unidos, seu pai perdeu o emprego e tiveram que retornar para o Japão. Não é considerada pelos colegas de escola nem japonesa e nem americana, sofrendo Bullying. 
Um dia Nao recebe a visita da sua bisavó, uma budista de 104 anos, e decide passar as férias de verão no templo junto dessa avó. Nesse tempo fora de casa, descobre a história do seu tio, que sofreu várias violências e se identifica com ele. Fica sabendo também que ele morreu na guerra, quando tinha 16 anos, a mesma idade em que a personagem está.Nao, depois disso, passa a ter contanto com cartas em francês de despedida do seu tio,  já que ele é um soldado suicida. 
Ruth tem a missão de decifrar o diário e as cartas, o que torna a história mais emocionante, e passa a investigar se realmente os personagens são verídicos. Muitas questões são levantadas: como aquela lancheira foi parar no Canadá? Por que logo a Ruth a encontrou? Como as duas podem ter sido ligadas no que parece um acaso?
É um livro que nos faz pensar em questões éticas e em momentos que passamos nas nossas vidas sem perceber ou sem dar a devida importância, conseguindo, na maioria das vezes, nos prender o com explicações inteligentes e detalhamento de certos costumes japoneses.
Definitivamente não é um livro que irá agradar a todos. Mas, é o tipo de livro que pode fazer uma pessoa se apaixonar por ele ou construir nos seu íntimo várias reflexões. 

"Mas com o tempo que se leva para dizer agora, agora já está terminado. Já é antes. [...] Antes é o oposto de agora. Portanto, dizer agora destrói seu sentido, tornando-o exatamente o que não é. É como se a palavra estivesse cometendo suicídio ou algo desse gênero".
página 107



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