Desafio do Livro Indicado - Dia 4 - Por Nivia Couto (O Castelo de Vidro)


Jeanette Walls escreve suas memórias de infância. O tema família é o centro do livro.

Aparentemente uma família como tantas outras: pais que se amam, mas brigam vez ou outra. Filhos belos, inteligentes, etc etc... o que difere aqui é a intensidade utópica com a qual os pais vivem.

Espera-se que quando pessoas tornem-se pais, elas amadureçam. Mas nem sempre é assim. Os pais de Jeanette continuam sonhadores. Tentam realizar seus sonhos, preservam a mente livre.

Em alguns trechos do livro cheguei a odiá-los! Como podem não perceber o quanto essa imaturidade reflete na vida dos filhos? Como podem ser tão egoístas? E quando eu estava no auge da raiva, me perguntando como podem pessoas viver daquela maneira...eis que eles tinham uma atitude que me deixava boquiaberta e mostrava o quanto amavam e poderiam transmitir aos filhos princípios tão lindos e sólidos.

Um dos trechos do livro que mais chamou minha atenção, foi no auge da falta de dinheiro, que eles passam pelo Natal. E quando eu comecei a sentir pena (afinal, coitadinha da família...sem dinheiro, sem emprego, com filhos...) e ao mesmo tempo sentir raiva (por favor, né??? Eles são pais!!! Dá pra arrumar um emprego normal, engolir sapo de chefes, fazer o que odeia, conviver com insuportáveis colegas de serviço, mas sustentar a família e deixar os filhos felizes???), eis que o pai me surpreende, e a mãe também. Ela diz o quanto os filhos devem sentir pena das crianças que vivem na ilusão do mito do Papai Noel. O quanto é deplorável acreditar em algo tão efêmero. O pai vai ainda mais longe: sem dinheiro para comprar presente, ele dá de presente aos filhos estrelas. Sim, estrelas, dessas que ficam no céu. E na linha de raciocínio de que as estrelas não tem donos, por isso podem ser deles. E que quando os brinquedos das outras crianças estiverem destruídos, eles ainda terão suas estrelas.

A marca registrada é a intelectualidade dessa família. Os pais podem ter seus defeitos, mas são inteligentes, procuram dar princípios e à todo momento, nota-se o quanto amam as crianças. E os filhos, por sua vez, mostram o carinho  e admiração que sentem pelos pais. Em outro trecho, a menina mostra que o orgulho do pai inteligente e sonhador é muito maior que a vergonha do pai bêbado e fracassado em suas tentativas.

E daí, a questão que assola o livro inteiro: até aonde os pais devem ser o que esperamos deles? Até aonde uma pessoa deve deixar seus sonhos e sua personalidade de lado, porque virou pai ou mãe? Existe um rótulo do que é ser bom ou mau como pai e mãe? E mais profundo: até aonde crianças se tornam adultos bem ou mal sucedidos por não terem o lar tradicional, sem mudanças, com situação financeira estável?

Livro com uma fácil linguagem, leitura gostosa, rápida. E sem dúvida, muito questionador.


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