Sentimentos Literários - Pequena Abelha – Chris Cleave


Todas as vezes em que eu ouvia alguma coisa sobre esse livro, ficava me perguntando sobre o que ele realmente dizia. 
“Duas mulheres que tiveram seus destinos mudados após se conhecerem em um dia fatídico”!
Como assim? Por que não falar mais nada? 
E após lê-lo, entendi porque não se pode falar nada mais que isso em uma resenha. 
Posso dizer de tudo que senti, mas não posso te contar essa história. É preciso passar por tudo que ela nos traz.
Medo, angústia, nojo, raiva, esperança... nossa é uma montanha russa! 
Senti como se me arrancassem um véu, como se tivessem me mostrado a realidade do mundo, da forma mais cruel. Senti uma revolta enorme pelo ser humano, e um medo de ser contaminada por essa parte obscura que a humanidade tem. 
A ganância, tão presente em todas as maiores desgraças do mundo, a necessidade de poder, e talvez, tão ruim quanto todas as maldades que as pessoas espalham pelo mundo, seja a negligência. O alívio que sentimos por não convivermos com tudo aquilo, e a gratidão por não ver isso em nosso dia a dia. A ingenuidade que temos, em pensar que não participamos dessas desgraças... talvez tudo isso seja pior, pois, para que o mal triunfe, basta o silêncio dos bons, como diria Edmund Burke. Estamos ligados e compactuando diariamente para que o mal prevaleça. E não temos como fugir disso! Uma realidade triste, porém necessária de ser compartilhada. Qual o real preço do progresso? E o consumismo? Quais desculpas inventaremos para nós mesmos para comprar aquele roupa incrível, ou o sapato perfeito? 
Apesar de ser difícil de ser digerida, é uma história baseada em fatos reais, que fará você repensar pequenas atitudes ou a falta delas.



"Esse é o triunfo da humanidade. Chama-se globalização."


"...peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: “Eu sobrevivi.”"



 "...a infelicidade é um buraco sem fundo, que é insaciável!"


 "O futuro é o maior produto de exportação de meu país. Sai tão depressa pelos nossos portos marítimos que a maioria do nosso povo nunca o viu nem sabe como é. No meu país, o futuro existe em pepitas de ouro escondidas na rocha ou é colhido em reservas escuras no fundo da terra. Nosso futuro se esconde da luz, mas o povo de vocês chega lá com um grande talento para adivinhar onde está. Dessa forma, de fração em fração, nosso futuro se torna o seu futuro. Admiro sua feitiçaria pela sutileza e pela variedade. A cada geração, o processo de extração é diferente. É verdade que somos ingênuos. Em minha aldeia, por exemplo, fomos pegos de surpresa ao descobrirmos que o futuro poderia ser bombeado para dentro de barris de 42 galões e embarcado para uma refinaria. Aconteceu enquanto estávamos preparando a refeição da noite, enquanto a fumaça azulada da lenha se misturava com o vapor denso das panelas de mandioca ao sol dourado do entardecer. Foi tão repentino, que as mulheres tiveram que nos agarrar, nós, as crianças, e correr conosco para dentro da selva. Ficamos escondidas lá escutando os gritos dos homens que tinham ficado para lutar — e, enquanto isso, na refinaria, por um processo de destilação, o futuro de minha aldeia era separado em suas frações. A fração mais pesada, a sabedoria de nossos avós, foi usada para asfaltar as estradas de vocês. As frações medianas, as economias cuidadosas de nossas mães, as moedinhas que elas guardavam depois da época da colheita, essas foram usadas para abastecer seus carros. E a fração mais leve de todas — os nossos sonhos fantásticos de crianças nas horas mais sossegadas das noites de lua cheia —, bem, esses saíram em forma de gás, que vocês engarrafaram e estocaram para o inverno. Dessa maneira, nossos sonhos vão manter vocês aquecidos. Agora que são parte do seu futuro, não acuso vocês de usá-los. Vocês provavelmente não fazem a menor ideia de onde eles vieram."





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