As coisas que o tempo desbota, mas que a memória mantém nítidas.



Anos Incríveis.
Hoje, quando fui arrumar uma gaveta, achei uma caixa com fotos. Sem qualquer sombra de dúvidas, sou uma daquelas pessoas que às vezes para o que está fazendo e vai fazer algo mais legal. E aí fui olhar minhas fotos antigas. Quantas mudanças! As da infância, amareladas pelo tempo, traziam de volta o cheiro de terra molhada que impregnava todo o jardim, quando a chuva chegava de repente nos obrigando a voltar correndo pra casa antes que as mães precisassem chamar. A época da escola, os medos, as milhares de aventuras e novidades sempre novinhas em folha! Porque é só quando você cresce que começa a entender a diferença entre novidades velhas e novas. E pode apostar suas fichas que, quando isso começar a acontecer, você vai dar mais valor do que nunca pra todas as novidades realmente novas... 
Depois as fotos da adolescência e juventude, o segundo grau (era assim que se chamava quando eu cursei o ensino médio), algumas pessoas que nunca mais vi, os colegas de trabalho, muitos colegas da música, com quem tenho a sorte de conviver até hoje. E o tempo foi passando, implacável e impiedoso, amarelando minhas recordações mais importantes, mas que insistem em permanecer intensamente coloridas dentro da minha cabeça.
Como as fotos, as situações que vivemos vão passando e com o tempo vão se transformando em lembranças, boas ou nem tão boas assim. Elas vão compondo o nosso álbum de fotografias da vida, e sempre torcemos para que haja muitas fotos, com muitos amigos, com nossos familiares queridos, com a pessoa que amamos. É importante sentir orgulho delas! Essas fotos são a nossa identidade. São a nossa história. E olhando pra todas elas hoje, eu acabei por entender que o medo daquele futuro, outrora tão distante e agora minha realidade, não poderia jamais ser real, porque o futuro era todo dia. 
Estampado em cada rosto, ali estava ele a me espreitar. Na dobrinha de uma ruga do sorriso de alguém, num beijo dado com carinho, num abraço apertado daquela pessoa que, anos depois, não está mais aqui. 
Mas o que mantém o colorido das fotos, sem que precisemos apelar pro photoshop?
Eu ainda não sei ao certo. Mas tenho uma forte impressão de que são as sensações boas dos momentos registrados, revividas quando olhamos essas fotografias da nossa vida, que fazem com que a máscara do tempo não tenha efeito nenhum sobre elas, fazendo com que as enxerguemos em todo o seu esplendor de cores, de aromas, de texturas e sabores, tão reais quanto os sonhos e tão etéreas quanto a realidade dos dias.


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