We Are The World +30

Olá, leitores! É com imenso prazer que venho, a partir desse sábado, compartilhar com vocês um pouco de mim e da minha paixão pelas Artes. Há quatorze anos, eu ingressava no movimento musical da cidade de Valença para não mais sair, tendo tido a oportunidade de trabalhar com artistas queridos e renomados. Há dois anos, comecei com a poesia e venho descobrindo, cada dia mais, o universo mágico da leitura por um prisma até então completamente desconhecido para mim: o de escritora. Essa viagem pelo mundo das letras tem me proporcionado experiências maravilhosas, que complementam, de maneira enriquecedora, minhas já tão felizes histórias com a música. E é justamente uma história das coisas lindas que podemos fazer na nossa vida e na vida dos outros por intermédio da música, que hoje reparto com vocês. 





Os 30 anos da canção We Are The World e o que a Arte Valenciana aprontou na “terrinha”.

        Resumo da Ópera:
Em 1985, o produtor musical Quincy Jones reuniu 46 das maiores vozes da música americana da época para gravarem uma canção escrita por Michael Jackson e Lionel Richie, cujo objetivo era arrecadar fundos para ajudar no combate à fome na África. A ideia não era nova e iniciativas com o mesmo intuito já haviam sido feitas por outros artistas, em outros grandes movimentos musicais (como o Concerto para Bangladesh, organizado por George Harrison - guitarrista dos Beatles - e pelo músico Ravi Shankar, em 1971). O que ninguém podia imaginar é que essa inciativa americana seria apenas a ponta de um gigantesco iceberg, iniciada pela gravação do clip de uma das canções mais executadas no mundo e que viria a se tornar o maior símbolo da união entre os ideais música e solidariedade. Juntamente com o concerto europeu Live Aid, a canção We Are The World completou 30 anos e se mantém viva na lembrança de quem viu e vivenciou aquele acontecimento histórico. 


Bachianas Brasileiras.
Depois que o hit We Are The World explodiu, a ideia se espalhou e em vários lugares do mundo, artistas se juntaram em prol das mais diversas causas. Claro que o Brasil não ficou de fora. Em terras tupiniquins, no mesmo ano de 85, rolou a gravação do clip da canção Chega de Mágoa, composta por Gil, Caetano, Chico e mais sete compositores renomados, cantada por nada menos do que 155 vozes! A ideia era ajudar as vítimas da seca no Nordeste. 

Regendo a orquestra.
Numa tarde despretensiosa de começo de ano, liguei o meu computador e então me deparei com o convite feito pelo “great master” Claudio Morgado: a ideia era reunir músicos da cidade e da região para um grande evento que comemorasse os 30 anos do USA for Africa, mas nos moldes valencianos, onde seriam executados sucessos de 85+ e com a bilheteria revertida para alguma instituição daqui. Pouco tempo depois, mais precisamente no dia 18 de Janeiro, um grupo havia sido formado no Facebook, mais de 50 músicos estavam envolvidos no projeto e começaram então os trabalhos de escolha de repertório, ensaios, questões de logística, de equipamentos, de local, de espaço e etc., etc., etc. Deu trabalho. Muito houve que se conciliar em matéria de horários. Há sempre aquele ar adorável de novela mexicana nessas situações. Muitos querem e não podem. Outros querem, podem, mas imprevistos acontecem, viagens de última hora surgem, compromissos inadiáveis de trabalho socam o nosso estômago sem que possamos nos defender. E assim a coisa foi fluindo, como quando uma ópera vai sendo composta. Vão sendo pensados, separadamente, cada um dos instrumentos, cada detalhe é estudado. Vão-se ultrapassando os obstáculos, e a obra vai tomando forma, criando corpo e personalidade. A alma de um evento só nasce quando ele acontece de fato.


E “tchan tchan tchan tcham”.

Finalmente, no dia 30 de Abril de 2015, foi “ao ar”, ao vivo e a cores, o evento We Are The World 30+ Música e Solidariedade, no Pesqueiro do Vitinho, com a participação dos maiores talentos de Valença e região, numa festa única, emocionante, com renda revertida para o Rotary Club, que vem adquirindo cadeiras de rodas para empréstimo aos que necessitam. Além disso, roupas foram doadas para a APAE e comerciantes valencianos participaram doando brindes para serem sorteados. Uma festa ecumenicamente musical, com vários estilos, ritmos e vozes, mas os mesmos sorrisos estampados no rosto de cada músico, de cada artista, de cada pessoa que estava ali prestigiando o trabalho dessa galera talentosa e engajada. 
Creio que seja nesse sentimento que reside a essência verdadeira de todas as artes. Esse é o grande prazer de poder fazer parte desses acontecimentos. É o conhecimento e a experimentação deste poder transformador que a música (e também a literatura) encerra em si, e que age nos corações humanos, que faz com que um artista, um escritor, um poeta, um músico... jamais se canse de levar a arte em todos os cantos por onde lhe seja permitido passar. 






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