Sentimentos Literários - Sonhando a Palestina





Ficamos no mínimo curiosos quando começamos a ler o livro e descobrimos um narrador possuído por sentimentos. Um narrador que se envolve na história e doa sua indignação para construir poesia através da prosa.



“...mas o amor também nasce onde há guerra, o amor é a flor que cresce na terra árida e desolada, porque o amor é esperança, mas onde está a paz?” (p.142)


Por aí, já podemos ver o quanto Sonhando a Palestina poderá ser intenso! Mas então, de acordo com que as páginas vão sendo consumidas, quando imaginamos que encontraríamos uma história onde a guerra seria personagem principal, encontramos uma história onde a amizade é a peça chave. É ela quem nos orienta e nos dá força para continuar essa leitura. Mesmo temendo que possamos terminar com o coração partido, nós encontramos força para continuar, porque aquele amor que une os amigos, Ramy, Jihad, Nedal, Ahmed, Ibrahim, Ualid e Mohammad, nos conforma e nos dá esperança de que mesmo em tempos e lugares de guerra, o amor pode brotar e florescer.
Estamos nos anos 90 e adentramos no universo da Palestina. 
Uma guerra que dura décadas.
Uma luta por terras.  
Entre Gaza e Cisjordânia, civis morrem. São os Palestinos. 
Soldados Israelenses destroem vidas e têm sua humanidade arrancada!
Os palestinos desejam um país, mas Israel considera que todo esse território deveria pertencer ao país judeu. 



“é isso, campos de concentração, não, não procurem com os olhos, não conseguirão vê-los, esses campos só estão nas cabeças daqueles judeus que sustentam um governo-mentira, que recriam as loucuras de um chanceler alemão nas mentes daqueles judeus que parecem representar todos os judeus do mundo, ainda que não seja assim.” (p.143)


Era 1992, o Partido Trabalhista venceu as eleições e Yitzhak Rabin voltou a ser primeiro-ministro. 
Ibrahim vaga pelas ruas depois de ter sido contaminado pelo clima de guerra. E aos poucos, conhecemos sua história e como conheceu sua nova família, formada por amigos unidos pela dor da perda, pela desesperança e por toda a doença da alma que uma guerra espalha. 
Trata-se de um mergulho na poesia e no amor encoberto pela poeira das bombas. Um livro doce e delicado que tem como pano de fundo, a maior insanidade humana, a guerra!
A autora nos envolve em sua narrativa doce e chocante, nos mostrando com grande sensibilidade esse cotidiano hostil!
Impossível terminar a leitura sem uma nuvem de lágrimas fazendo com que as palavras se misturem diante dos nossos olhos. Conseguimos nos sentir dentro daquele ambiente onde a guerra predomina, mas o amor e a amizade resistem o quanto podem!
Uma leitura repleta de conteúdo e de sensibilidade! Uma história sobre esperança que possui todos os motivos para ser derrotada, mas que resiste mesmo em meio ao caos e a um mundo negro, de gerações que são contaminadas por um ódio descabido que se transforma no único futuro que conseguem enxergar!



“...o poder, eles têm os campos de concentração na mente, mas não os constroem de verdade e jogam os palestinos dentro porque as câmeras hoje chegariam até lá e porque o mundo, àquele ponto, seria obrigado a acordar do maldito torpor em que está afogado, o torpor que o levou a aceitar esses mortos, porque o mundo seria obrigado a acordar, Deus, não se faz paz com os mortos.” (p.144)





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