A minha língua quero na tua boca



Quero escrever na tua pele
o panfleto do meu amor
e agarrar o teu cabelo
mobilizar as tuas mãos
Berrar com a força dos teus olhos
que a revolução está em marcha
no desejo e no sexo


Quero sair às ruas do teu corpo
com a tua roupa de bandeira
e solicitar,reclamar, exigir
silêncio para escutar as proclamas
da nossa respiração

Quero ser militante dos teus peitos subversivos
e atacar diretamente
ali onde mais gosta
e tomar por assalto o palácio de inverno

das tuas pernas
enquanto tu preparas
a ofensiva final


A minha língua quero na tua boca
e nos teus lábios, nos teus peitos
E no país inteiro do teu sexo
falar com o idioma que nos pertence
Procurar a umidade com a língua que nos une
para dar-lhe nome ao teu corpo
e repetir em cada rio em cada bosque
em cada outeiro da tua geografia
a promessa de quem ama sem palavras
Com o silêncio das estrelas, tão longínquo e singelo



Igor – Ovnis e Isoglossas



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