Crítica | Edward, mãos de tesoura!

Olá, tudo bem com vocês?

Desde que a Pit lançou a ideia de uma semana de filmes por mês aqui pelo Blog, uma coisa eu tinha certeza: falarei dos meus filmes preferidos da vida e, ainda, de alguns que aproveitarei a oportunidade para ver pela primeira vez!

Essa semana falaremos de "Clássicos dos anos 90" e eu não poderia deixar de falar de "Edward, mãos de tesoura".

Não sou capaz de me lembrar quando, e onde, assisti este filme pela primeira vez. Sei que, ainda criança, algo nessa trama me deixou completamente encantada. Algum tempo depois, me encantei com outros filmes na mesma proporção e descobri tratar-se de obras dirigidas por um mesmo diretor. Começava então, minha paixão, agora consciente, por Tim Burton. 
Tim é, sem dúvida, o meu Diretor preferido. Sua genialidade na 7ª arte me deixa cada dia mais encantada e apaixonada. A fotografia, a personalidade e cada característica que lhe é peculiar nos filmes, fazem de mim sua fã declarada. Outro fator que só aumenta meu amor pelo trabalho de Tim é a escolha do elenco. Jonny Deep, um dos melhores atores das últimas décadas, em minha opinião, é escolha praticamente certa nos filmes de Tim. São muitas e muitas parcerias desta dupla e, curiosamente, "Edward" foi a primeira dessa série de parcerias.


"Edward, mãos de tesoura" não só foi dirigido por Tim Burton como, também, escrito e produzido. Um momento de ápice criativo que nos contemplou com muita arte, poesia e sensibilidade.

Antes de entrarmos de fato na resenha do filme, vou traçar um paralelo entre a vida de Tim e o personagem principal do filme que considero fundamental para compreendermos de fato a história e, principalmente, sua intenção.

Burton cresceu sendo visto como uma criança incomum. Interessado em tudo que se remetia à morte e a escuridão, era bastante incompreendido por seus pais e, mesmo sendo bondoso, carinhoso e sensível, era visto com ares duvidosos por todos. 
Avesso ao colorido, o Diretor encontrou dificuldade quando decidiu seguir carreira em uma Hollywood que sabe ser superficial.

Burton trouxe muito de si para as telas através de Edward. O protagonista apresenta características de personalidade muito semelhantes com as aqui citadas do diretor. 
Criado por um cientista que morre antes de finalizar sua criação, Edward é um homem com tesouras no lugar de suas mãos. 



Uma característica marcante em todo trabalho de Tim Burton, é o fato de seus personagens serem sempre indivíduos excluídos de alguma forma, vivendo à margem das convenções sociais e determinando seu próprio estilo de vida, através de suas crenças e valores. Não foi diferente com Edward.

Vivendo em um castelo escuro, na montanha, sem vida social, essa 'estranha' criatura é pálida ao extremo, tal como qualquer um que viva longe de qualquer raio solar. Suas mãos de tesoura, podem ser relacionadas a duas situações: a retratação da dificuldade de convívio social, e/ou, uma forma poética de representar pessoas com alguma característica física que lhes diferencie dos demais, levando assim, em muitos casos, à reclusão e afastamento social.

No filme, Peg, uma vendedora de cosméticos, bate ao castelo em que Edward vive e, por acaso, o descobre lá. Após entender o que se passa ali, Peg leva Edward para viver em sua casa, na cidadezinha que rodeia a montanha.

Sair do completo isolamento e passar a viver na cidade, rodeado de pessoas, não é nada fácil. Edward desperta o espanto e estranheza das pessoas. Mas a personalidade sensível do rapaz, junto de seu talento com as tesouras vai, aos poucos, cativando os que lhe cercam, principalmente Kim, personagem de Winona Rider que, não demora, se apaixona pelo bizarro Ed.



Claro que nem tudo são flores. Edward é julgado, hostilizado e bastante perseguido por vários personagens, principalmente o, até então, namorado de Kim e uma mulher da vizinhança com a qual Edward recusa-se a ter relações sexuais, mesmo diante de forte assédio por parte dela.


Essa história incrível e emocionante, junto a um roteiro brilhante, elenco perfeito e sincronizado e, ainda, uma trilha sonora sensacional enriquece a trama de forma significativa.

Nessa trama, a excelente parceria de Tim e Deppy, nos brinda com um personagem desprovido das mazelas recorrentes na sociedade. O choque entre esse ser puro e ingênuo, sem contaminação do meio, e os demais, prevalece para nós, sobre a estranheza que a aparência do mesmo causa nas pessoas.

Em momentos precisos, uma comédia tímida invade a cena e contribui para a leveza com que um tema tão complexo seja tratado.

Mas no fim, o que sobressairá? A força de uma sociedade superficial, feita de aparências e moldada de acordo com seus interesses e urgências, ou a inocência daquele que tenta conquistar o respeito de tal sociedade, na maioria das vezes taxativa, diante de nossos defeitos e aberrações?

Sem dúvidas, um de meus filmes preferidos da vida! 







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha - O segundo sexo

Feminismo, por Ayn Rand

Viagens literárias: Mergulho no mar