Elevador de emoções


Foi em um domingo em uma tarde do inverno, como poderia ter sido na quinta à noite de uma primavera e com qualquer outra pessoa, em qualquer outro lugar do mundo. Mas simplesmente não foi, aconteceu comigo, como iria acontecer mais cedo ou mais tarde.                 
E foi assim: 
Minhas mãos trêmulas e meus olhos lacrimejados, minha cabeça doía fortemente e eu estava com muitas tarefas a fazer. No começo achei que era um cansaço físico ou talvez mental, mas não, eu estava errada, como de costume. Era na verdade um mal estar emocional diferente de todos aqueles que já tive em relação aos caras que eu gostei ou por algo que não saiu certo. Segundo uma amiga um pouco mais vivida do que eu, uns três ou quatro anos no máximo, eu estava tendo uma crise de adolescência precoce, e, depois de tudo conversado deixei o celular na mesa de cabeceira e fui pensar. Na minha cabeça estavam presentes diversas, milhares, eu diria, coisa diferentes, preocupações diferentes. Não aquelas preocupações com um brinquedo quebrado ou a hora de sair para brincar, ou talvez a bronca da mãe pelo joelho ralado. E sim, com a nota baixa, à hora de levantar pra estudar e a bronca que a vida estava me dando naquele exato momento. Eu tinha quatorze anos e faltava pouco mais de três anos para sair da escola e ir pro mundo. Eu estava ansiosa, admito, mas estava demasiada nervosa com toda aquela transição de "etapas", deixando de ser uma adolescente infantil para me tornar uma adolescente adulta, e ninguém que tivesse pouco mais de trinta anos me entenderia, afinal, nem eu estava conseguindo. Foi tudo como no primeiro selinho, rápido e avassalador. De uma hora pra outra eram contas, provas, responsabilidades sobrando, tempo faltando, amigos indo, pessoas novas vindo, gostos mudando, coisas perdendo o sentido e a infância propriamente dita se foi. PUFT. Acordei do conto de fadas e vim viver a realidade, onde não existem carruagens e vestidos brilhantes, ufa, já estava cansada disso, mas de repente, quando acordei de meus devaneios e olhei para cima vi uma lista com alguns nomes, e o meu também estava lá, em terceiro ou quarto se não me engano, eu tinha passado na faculdade, segundo um garoto que estava ao meu lado e, como sempre, minha cabeça estava perdida. Onde está a bruxa má ou talvez o príncipe encantado? 
-Acabou. - Alguém diz enquanto passa apressado por mim. 
E assim começou a vida e assim ela irá terminar, quer dizer, não sei, talvez a minha adolescência tenha sido apenas um elevador de emoções que me levou ao andar em que eu precisava chegar naquele exato momento da história.
Jéssica Pançardes





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