PRINCESA DO AVESSO

Querido Príncipe Encantado,
Faz tempo que me disseram que você viria.  Minha teimosia e mania de contrariar, me fizeram desacreditar.

A ideia de esperá-lo nunca me coube bem. 

E nessa “não-espera”, fui esbarrando com sapos, e fazendo deles, príncipes. 

Nunca um cavalo branco, tampouco espadas e escudos. Sem campos floridos e pássaros. Entre uma troca de olhar no bar da esquina e um esbarrão numa avenida qualquer, fui traçando com perfeição minha bagunça emocional!

Aquela linha tênue entre o querer e o fazer, que não funciona tão bem fora da “caixa”.

Pois bem, Seu Príncipe, a diversão perdeu a graça, a espera fez-se presente, e hoje escrevo para avisá-lo que venha logo.

Não se esqueça de que acordo de mau-humor, só funciono depois do meio-dia, não durmo a noite, trabalho muito, e amo esse trabalho com a mesma intensidade que reclamo dele. Sim, sou um conjunto de paradoxos e ambiguidades. 

Leio Fernando Pessoa, discuto Platão, parafraseio Nietzsche e me “sacudo” ao som de Quadradinho de 8. 

Gosto de pessoas, de discussões de mesa de bar, da mesma forma que preciso ficar sozinha, na única companhia do meu computador.

Mas você vai entender, já que é o Príncipe Encantado...

Também não esquece que não gosto de flores, que as troco por cactos... Que uma cerveja no boteco da esquina pode ser melhor recebido que um jantar naquele restaurante caro. 

E que eu vou achar que você morreu de uma bala perdida cada vez que não responder alguma mensagem, e que provavelmente vou esquecer-me de datas importantes e comemorativas. Você terá de me lembrar antes, e você o fará, afinal, você é “aquele cara”.

Sou mimada, faço bico e bato pé. Levo uma discussão até o fim e admiro aqueles que me convencem... 

Se gritar, vou chorar e  possivelmente irei embora. Na falta do que dizer, um abraço é suficiente. Nada melhor que um sorriso pra me dobrar... 

Mas, você já sabe de tudo isso, afinal, você não é só mais um...

Então, venha!

Um beijo,

                  aquela!



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