Filtre-se. E faça-se Luz!

O homem é o lobo do homem.

A frase - criada pelo dramaturgo romano Tito Mácio Plauto (254-184), “Lupus est homo homini non homo” e imortalizada pelo filósofo inglês Thomas Hobbes em sua obra O Leviatã - traz a sentença de que o homem é capaz de cometer grandes atrocidades contra os de sua própria espécie.


Neste post, decidi por não dissertar sobre os chocantes acontecimentos que se abateram sobre nosso estado de Minas Gerais, sobre a França, sobre a Síria e sobre tantos outros lugares do mundo, onde as imagens de rostos desesperados, de destruição e profundo abandono estão grudadas em minhas retinas sobremaneira. Faltam-me as palavras moderadas, minhas companheiras de cotidiano. O silêncio se fez necessário para abrandar pensamentos efervescentes e qualquer opinião exposta por mim poderia se mostrar inadequada por razões diversas. É preciso saber a hora de silenciar. Silencie-me então. Antes, senti a forte necessidade de trazer, neste momento de dor e austeridade, alguns poucos, mas necessários, pontos de reflexões urgentes.

Porém, não quero silenciar o que acredito ser o combustível que movimentará a máquina transformadora. Os combustíveis de nossas almas: a luta, a esperança, a força, a fé, o amor.


Os filtros imprescindíveis a esses tempos de resíduos gigantescos, lama e toxicidade, bombas e lágrimas, vão-se construindo através da prática diária de hábitos, cujos alicerces se encontram na bondade e nas boas vibrações emanadas de nossos pensamentos. Acredite no bem que você faz, mesmo que todos digam que não irá mudar nada. Filtre-se. E faça-se luz!

O SAL DA TERRA - BETO GUEDES 




Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar...

Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir

Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver...

A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da...

Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã

Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã...

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois...

Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra






O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS


Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras 
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade 
das tartarugas mais do que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado 
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.

                                                      MANOEL DE BARROS




LIRA ITABIRANA

(Carlos Drummond de Andrade)
I

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.


II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.

IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?




















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