Atravessando





Olhando as minhas mãos meio ressecadas esta manhã, tive a sensação do tempo. Senti a folha secando, a pedra se moldando sob a água, o pássaro a olhar os pontos no horizonte em que ainda não pousou.
Senti o tempo me atravessando por dentro, trazendo memórias antigas, tudo o que já vivi até hoje e consigo me lembrar com nitidez; a sensação de lembranças que já não consigo recordar mais.
O tempo passando. Eu nele, às vezes tão perdida ainda, tão menina ainda, a quase engatinhar, a ver o mistério e ter aquela curiosidade de tocar nele. Não entender muitas coisas apesar de parecerem tão simples.
Medo e raiva brigando dentro de mim, num confronto corpo a corpo com a esperança e o amor.
A experiência humana é única (e talvez só ocorrerá uma única vez dentro deste espaço-tempo) e penso modos de vivenciá-la plenamente antes que o meu tempo acabe.
Eu o sinto correr por mim. As sensações, há dias, em que estão acordadas. Ao menor detalhe, elas me despertam para a grande novidade do dia após dia. Quero me sentir viva e apenas isso dentro da imensa Criação de Deus, apurar meu olhar, apurar meus sentidos, deixar a sensibilidade fluir apesar de todo o perigo de se machucar, porque o perigo maior é passar pela chance deste espaço-tempo sem querer sentir, sem querer experimentar, sem querer se libertar, sem querer viver plenamente!

Elayne Amorim

Imagem: Google

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